La respuesta que dio Oscar Wilde a la pregunta de si el dinero da la felicidad (“No, pero da algo que se le parece tanto, tanto, tanto, que a veces es muy difícil distinguirlo de ella”),
Prosa Alheia - Citações
domingo, 29 de setembro de 2024
sexta-feira, 22 de setembro de 2023
Ato gratuito - Clarice Lispector
Ato gratuito
Muitas vezes, o que me salvou foi improvisar um ato gratuito. Ato gratuito, se tem causas, são desconhecidas. E se tem consequências, são imprevisíveis. O ato gratuito é o oposto da luta pela vida e na vida. Ele é o oposto da nossa corrida pelo dinheiro, pelo trabalho, pelo amor, pelos prazeres, pelos táxis e ônibus, pela nossa vida diária enfim – que esta é toda paga, isto é, tem o seu preço.
Uma tarde dessas, de céu puramente azul e pequenas nuvens branquíssimas, estava eu escrevendo à máquina – quando alguma coisa em mim aconteceu. Era o profundo cansaço da luta.
E percebi que estava sedenta. Uma sede de liberdade me acordara. Eu estava simplesmente exausta de morar num apartamento. Estava exausta de tirar idéias de mim mesma. Estava exausta do barulho da máquina de escrever. Então a sede estranha e profunda me apareceu. Eu precisava – precisava com urgência – de um ato de liberdade: do ato que é por si só. Um ato que manifestasse fora de mim o que eu não precisava pagar. Não digo pagar com dinheiro mas sim, de um modo mais amplo, pagar o alto preço que custa viver.
Então minha própria sede guiou-me. Eram 2 horas da tarde de verão. Interrompi meu trabalho, mudei rapidamente de roupa, desci, tomei um táxi que passava e disse ao chofer: vamos ao Jardim Botânico. “Que rua?”, perguntou ele. “O senhor não está entendendo”, expliquei-lhe, “não quero ir ao bairro e sim ao Jardim do bairro.” Não sei por que olhou-me um instante com atenção.
Deixei abertas as vidraças do carro, que corria muito, e eu já começara minha liberdade deixando que um vento fortíssimo me desalinhasse os cabelos e me batesse no rosto grato de olhos entrefechados de felicidade.
Eu ia ao Jardim Botânico para quê? Só para olhar. Só para ver. Só para sentir. Só para viver. Saltei do táxi e atravessei os largos portões. A sombra logo me acolheu. Fiquei parada. Lá a vida verde era larga. Eu não via ali nenhuma avareza: tudo se dava por inteiro ao vento, no ar, à vida, tudo se erguia em direção ao céu. E mais: dava também o seu mistério.
O mistério me rodeava. Olhei arbustos frágeis recém-plantados. Olhei uma árvores de tronco nodoso e escuro, tão largo que me seria impossível abraçá-lo. Por dentro dessa madeira de rocha, através de raízes pesadas e duras como garras – como é que corria a seiva, essa coisa quase intangível que é a vida? Havia seiva em tudo como há sangue em nosso corpo.
De propósito não vou descrever o que vi: cada pessoa tem que descobrir sozinha. Apenas lembrarei que havia sombras oscilantes, secretas. De passagem falarei de leve na liberdade dos pássaros. E na minha liberdade. Mas é só. O resto era o verde úmido subindo em mim pelas minhas raízes incógnitas. Eu andava, andava. Às vezes parava. Já me afastara muito do portão de entrada, não o via mais, pois entrara em tantas alamedas. Eu sentia um medo bom – como um estremecimento apenas perceptível de alma – um medo bom de talvez estar perdida e nunca mais, porém nunca mais! achar a porta de saída.
Havia naquela alameda um chafariz de onde a água corria sem parar. Era uma cara de pedra e de sua boca jorrava a água. Bebi. Molhei-me toda. Sem me incomodar: esse exagero estava de acordo com a abundância do Jardim.
O chão estava às vezes coberto de bolinhas de ararueira, daquelas que caem em abundância nas calçadas da nossa infância e que pisamos, não sei por que, com enorme prazer. Repeti então o esmagamento das bolinhas e de novo senti o misterioso gosto bom. Estava com um cansaço benfazejo, era hora de voltar, o sol já estava mais fraco.
Voltarei num dia de chuva – só para ver o gotejante jardim submerso
Nota da autora: peço licença para pedir à pessoa que tão bondosamente traduz meus textos em braile para os cegos que não traduza este. Não quero ferir os olhos que não vêem.
Aprendendo a Viver / Clarice Lispector. São Paulo: Rocco, 2004.
La literatura es también una forma de pensamiento - Javier Marías
"La literatura es también una forma de pensamiento, y una de las principales, y no creo que a eso pueda renunciar el mundo, sobre todo porque ese pensar literario -en forma de narraciones o historias o de versos o de diálogos y monólogos- nos viene acompañando desde hace demasiados siglos. Hay cosas que sabemos sólo porque la literatura nos las ha mostrado, o nos ha permitido tomar conciencia de ellas y reconocerlas. Hay saberes e intuiciones que no son expresables o no se manifiestan en un lenguaje exclusivamente racional: ni técnico, ni filosófico, ni económico, ni religioso, ni científico, ni desde luego político, ni tan siquiera psicológico. Hay una enorme zona de sombra en la que sólo la literatura y las artes en general penetran; seguramente, como dijo mi maestro Juan Benet, no para iluminarla y esclarecerla, sino para percibir su inmensidad y su complejidad al encender una pobre cerilla que al menos nos permite ver que está ahí, esa zona, y no olvidarla."
Javier Marías
terça-feira, 12 de setembro de 2023
Comecei novo livro - Rita Ferro
Comecei novo livro. Não tem título nem forma nem nada, mas comecei. Uma das razões por que escrever é importante é a de acordar a metade de nós aparentemente morta. E também a de desmentir o esquecimento. Está tudo guardado e vivo, à espera de que a escrita revele. O quotidiano é exímio a convencer-nos de que nada temos dentro da cabeça, as ideias se finaram e volatizaram e não as encontraremos mais. Quando nos sentamos, fechamos os olhos e puxamos um fio, apenas um fio, desencadeamos a avalanche de tudo o que dávamos por perdido
quarta-feira, 30 de agosto de 2023
O sentido da vida - Fernando Lopes
Deve de haver poucas coisas mais infelizes do que desconhecer o propósito pessoal na vida. Eu ainda não encontrei o meu. Acredito que esse desígnio não surja de uma iluminação qualquer, mas sim com a persistência da procura. Tenho feito pequenas mudanças nos meus hábitos de vida, que, acredito, me estejam a direccionar para algum lado. Um lado sonhado e ambicionado. Nada na vida se adquire de um dia para o outro, e quem me dera ter sabido disto aos vinte. Ainda hoje não sei bem o que quero, ou melhor, até sei, mas ainda não descobri a forma de lá chegar. O que sei é que é preciso caminhar, um dia de cada vez, meio dia de cada vez, se for preciso. Vivo insatisfeito. Insatisfeito comigo, embora os espaços de tempo em que sinto vazios, sejam cada vez mais curtos, fruto dessa mudanças que vou empreendendo. É preciso resiliência e força para aguentar o peso dos dias, dias esses em que nada parece acontecer, em que nada parece mudar. Cada vez mais, acho que não fomos concebidos para enfrentar vagas de tormentos e dores, e acredito plenamente que a resposta está na criatividade e na liberdade do espirito.
Ainda não sei qual é o meu propósito de viver e, talvez, o propósito de vida, não seja mais do isso mesmo — a eterna busca. No último reduto, o propósito é ser-se feliz, seja lá o que isso for.
domingo, 5 de fevereiro de 2023
Quem é Erin Doom, a nova Elena Ferrante
Millones de lectores conocen sus novelas. Las han disfrutado, compartido y empujado hasta la cima de los libros más vendidos del año pasado. Solo un puñado de personas, sin embargo, sabe quién es de verdad este nuevo éxito de la literatura italiana. La familia, el editor y poco más. El misterio alrededor de la “Elena Ferrante juvenil” —como la bautiza el sello Montena, que ahora trae a España su obra más famosa, Fabricante de lágrimas— crece igual que su triunfo. Aunque, bajo un coro de entusiasmo masivo, en internet también resuenan acusaciones muy ruidosas: normalizar los abusos o la violencia en el amor, reiterar estereotipos o, incluso, contribuir a un retroceso del feminismo. Libros, adolescentes, éxito, dinero, redes sociales, identidad oculta, polémicas: el fenómeno Erin Doom está servido.
Frente a la escritora anónima por excelencia, la más reciente sí ha dejado filtrar algún dato: se llama Matilde, es de la Emilia Romaña, tiene menos de 30 años y está diplomada en Derecho. Lo demás queda para la imaginación de cada cual. Aunque tal vez su seudónimo ofrezca alguna pista. Es decir, como explica ella misma por correo electrónico, “un término irlandés asociado a la naturaleza y la libertad” y la palabra destino en inglés, “esa fuerza arcana e inexplicable que conecta a mis personajes y sus historias”.
La de Fabricante de lágrimas empezó en Wattpad, una colosal comunidad digital donde cualquier escritor puede mostrar sus obras ante millones de usuarios. Ahí, Doom utilizaba otro alias: Dreamseater (comedora de sueños, en inglés). E iba publicando por entregas el relato de Nica y Rigel, dos huérfanos unidos por una adopción, un pasado en común, una sombría atracción y una inquietante leyenda. Capítulo tras capítulo, cada vez más internautas fueron acompañando el avance de la trama. Hasta que se contaban en cientos de miles.
El periplo de la autora se parece al de muchas carreras lanzadas por Wattpad: la plataforma le permitió cultivar la afición de narrar historias, mientras se dedicaba a otra profesión; de golpe, vio como las cifras de visualizaciones empezaban a multiplicarse, una bendición que también puede llegar a suponer un peso y una responsabilidad; y subraya que la relación tan directa con los lectores es un “gimnasio óptimo para conocer tus fortalezas y limitaciones”. Aunque la italiana señala también uno de los peligros implícitos en Wattpad: “El riesgo de plagio está muy difundido”. Lo cierto, además, es que el portal permite generar un grupo de lectores potencialmente interesados en comprar la obra.
Así que, el 20 de diciembre de 2020, Doom se lanzó a autopublicarse en Amazon. “Empecé a entender que las cosas estaban cambiando cuando el libro comenzó a subir ahí. Y en las listas nacionales”, relata. Porque, al día siguiente, la editorial Magazzini Salani la contactó para culminar el periplo al revés de su obra: de la red y el impacto directo hasta el canal tradicional, hecho de papel e intermediarios. Era justo, por otro lado, el sello que publica en Italia a J. K. Rowling, la madre de Harry Potter, que Doom ha identificado varias veces como responsable de su hechizo con la literatura. Siguieron una charla por videoconferencia, un acuerdo, el título de libro más vendido de 2022 en Italia —450.000 copias— y una adaptación cinematográfica ya en marcha. El boca oreja en la red social Tik Tok también disparó el fenómeno.
El despegue de Fabricante de lágrimas ha arrastrado consigo incluso a Nel modo in cui cade la neve (En el modo en el que cae la nieve), la primera novela de Doom, escrita al terminar el bachillerato científico, que también ha aterrizado ahora en las librerías, y en las clasificaciones de los mayores éxitos. Ambos libros, además, están unidos por temáticas y protagonistas: una joven sin padres, un chico tan tenebroso como atractivo y un idilio problemático. “Creo que el amor puede tener muchas facetas, no siempre delicadas. A menudo, un sentimiento puede nacer incluso entre personas que, a pesar de sus dificultades, sus defectos y sus historias, logren encontrar en la imposibilidad una manera de entenderse”, reflexiona la italiana.
Tal vez sea esa la receta que ha enganchado a miles de seguidoras —su público es mayoritariamente femenino—. La novela también toca temas como los abusos o el consumo de drogas, tanto que una nota al principio del libro avisa del “contenido sensible”. “A menudo los niños son víctimas silenciosas. Quería llevar la atención hacia situaciones de las que no se habla lo suficiente, como la tutela de menores o las manipulaciones y abusos de los que habría que salvaguardarles”, argumenta Doom, cuya carrera jurídica, al parecer, también se centra en ese ámbito.
Hay, sin embargo, quien cree que su libro fomenta justo lo contrario. Porque, además de besarse, Nica y Rigel se agarran, se empujan o se gritan. Habrá quien lo considere pasión; pero en plataformas como Goodreads se pueden leer reseñas enfurecidas que acusan a Doom de llamar amor al maltrato. Y, además, de tratar con superficialidad el abuso infantil. “Creo que un libro, o cualquier otra obra, se percibe desde la subjetividad de cada uno. Respeto todas las opiniones, porque forma parte del trabajo. Si bien Rigel busca mantener a Nica lejos con un carácter retorcido y coherente con el personaje, en realidad tiene miedo de tocarla: se menciona muchas veces en su relato. Aunque entiendo que es un personaje muy controvertido, es la demostración de que no aceptarnos, con nuestras inclinaciones y sentimientos, por miedo a ser juzgados o rechazados, nos hace daño a nosotros y a los que amamos. Al final, somos lo que elegimos ser, también más allá de nuestros traumas, dolores e incontables limitaciones”, responde ella.
‘1984’ y ‘Farenheit 451’
La escritora, en cambio, prefiere ignorar la pregunta sobre posibles influencias al margen de Rowling, aunque en otros casos ha citado a 1984 de George Orwello Farenheit 451 de Ray Bradbury como dos de sus novelas favoritas. También evita aclarar si piensa dejar la actividad jurídica y dedicarse a tiempo completo a la literatura. No hay, sin embargo, más elusiones en sus respuestas: Doom cuenta que su vida no ha cambiado de forma “drástica” y procura no olvidar “nunca” de dónde viene; que el anonimato se debe a un “índole muy reservada” y al deseo de privacidad, por lo que teme un poco lo sucedido con Ferrante: el secreto alimentó curiosidad, pero también investigaciones para intentar desvelarlo.
La joven autora no descarta anunciar algún día quién es. Pero quiere que suceda a su ritmo, pese a que sus padres se mueren de ganas y orgullo de contárselo “a todo el mundo”. Por lo pronto, ha dado otro paso: se dejó fotografiar por la revista Vanity Fair, aunque con la cara tapada. Mientras, prepara su tercera novela. Asegura que se alejará algo de las otras dos. Amor, familia y dificultades, eso sí, volverán a ser los pilares centrales. Sus lectores, al fin y al cabo, ya la conocen muy bien. O no.
A situação política no Peru em 2022-2023 - Mário Vargas Llosa
En un artículo que leí hace poco en el Miami Herald, Andrés Oppenheimer dice exactamente la verdad sobre el caso peruano. Y pone al descubierto la pequeña conspiración de los presidentes elegidos de México, Argentina, Bolivia, Chile, Honduras y Colombia para producir un golpe de Estado que pondría fin a la democracia peruana. Claro que Cuba, Venezuela y Nicaragua participan de esta conspiración, pero no son “democráticas”, sobre todo Cuba, que no permite elecciones libres en la isla hace más de 60 años. De modo que las tres no pueden figurar en esta estadística.
¿Cuál es la verdad sobre el caso peruano? Muy sencilla. El presidente elegido por los peruanos, Pedro Castillo, pronunció un “discurso” el 7 de diciembre, utilizando el circuito nacional de radio y televisión, pretendiendo dar un golpe de Estado, calcado del que dio Alberto Fujimori hace 30 años. En ese discurso, que escucharon millones de peruanos, el jefe del Estado dijo, entonces, que expulsaba a todos los parlamentarios y anunciaba unas futuras elecciones para reemplazar al Congreso con una Asamblea parlamentaria, algo que las leyes peruanas consideran anormal e ilegal. También declaró en “reorganización” la Fiscalía y el poder judicial (es decir, los disolvió). El Congreso, reunido rápidamente, destituyó al presidente y su guardia de honor lo entregó inmediatamente después a la policía, en vez de llevarlo a la Embajada de México, donde el presidente Andrés Manuel López Obrador le había ofrecido asilo. Desde entonces, Pedro Castillo está preso por orden judicial, esperando ser juzgado, por el delito de haber intentado dar un golpe de Estado, algo a lo que los militares peruanos se opusieron, de acuerdo a la Constitución y a las leyes, y se mantuvieron dentro de la legalidad. Los parlamentarios nombraron, para reemplazar al presidente, a la vicepresidenta, Dina Boluarte, miembro del mismo partido del presidente Castillo, que se ha declarado “marxista leninista” en varias ocasiones. Ella ha ofrecido celebrar unas elecciones en el plazo de un año y el Congreso ya ha aprobado el adelanto en primera instancia, algo que es perfectamente constitucional. De modo que los peruanos tendrán un nuevo jefe de Estado electo dentro de poco más de 12 meses, de acuerdo con las leyes.
Aquí comienzan los “presidentes elegidos” de naciones vecinas, es decir, México, Argentina, Colombia, Chile, Bolivia y Honduras, a mostrar sus garras. Según ellos, el presidente Castillo no intentó dar un golpe de Estado y está preso por culpa de los partidos “derechistas” que habrían armado toda “esa conspiración”. ¿De dónde sacan esta historia absurda y desatinada esos presidentes? No se sabe de dónde pero ahí está la acusación, nacida, por lo visto, del mandatario mexicano, López Obrador, que se ha llevado a la familia de Castillo a su país y que repite sin cesar semejante calumnia. Y es lamentable que varios países lo imiten en esta inventada teoría, según la cual el presidente Castillo sería víctima de una maquinación de la derecha peruana.
Esta misma fantasía ha prendido entre ciertos grupos de la extrema izquierda peruana que, atacando ciudades y aeropuertos, han quemado vivo a un policía y han provocado enfrentamientos con las fuerzas del orden que han dejado un saldo de casi 60 muertos entre los peruanos. La presidenta Dina Boluarte ha asegurado que el poder judicial examinará todas estas muertes, para implicar a los responsables, en tanto que la opinión pública ha exigido que esta investigación se lleve a cabo por el poder judicial cuanto antes. La presidenta, por lo pronto, desconcertada con las declaraciones de sus antiguos compañeros, debe haberse desprendido ya de sus definiciones ideológicas.
Es estúpido decir que la derecha ha llevado a cabo toda esta pantomima para acabar con Pedro Castillo. Todos los peruanos oyeron ese discurso en el que Castillo se arrogaba poderes extraordinarios y enviaba a los parlamentarios, a los fiscales y a los jueces a sus casas. Lo único que no le salió bien es que los militares no lo apoyaron, y que su guardia de honor, en vez de llevarlo a la Embajada de México, lo entregó a la policía. Esta es más o menos la tesis que, luego de una minuciosa investigación, Andrés Oppenheimer revela en el Miami
Herald, y la que varios millones de peruanos suscribirían sin objeciones. Habrá elecciones dentro de un año y los peruanos tendrán un nuevo presidente según las leyes y la Constitución, a las que el Ejército ha respetado, creo que por primera vez en nuestra historia.
¿De dónde nace la fantasía delirante que Castillo ha sido “secuestrado” por la derecha? Enfurecido, López Obrador, el mandatario mexicano, nadie sabe por qué, ha inventado junto con el de Colombia toda esta patraña que el pueblo peruano y su Gobierno han rechazado con la máxima energía. Bien haría el señor López Obrador de ocuparse de los problemas de México, donde los asesinatos se repiten cada día.
Los peruanos lamentan que el joven mandatario chileno Gabriel Boric se haya prestado a esta farsa y haya apoyado las acusaciones ridículas de López Obrador, de que la caída de Castillo es una operación “de la derecha peruana”. Él había sido muy prudente hasta ahora y se había mantenido en el respeto de una estricta legalidad. En tanto que el colombiano Gustavo Petro puede decir las mentiras que sabemos, Boric se había mantenido en una estricta discreción que ahora ha roto. ¿Qué lo ha hecho cambiar de opinión? Es un acto lamentable, que el pueblo peruano no olvidará.
La verdad es que la caída del presidente Pedro Castillo no la van a llorar muchos peruanos. Desde su elección, las metidas de pata de este personaje que ignoraba las cosas más elementales del Perú habían provocado la indignación y la cólera de distintos sectores. Entre otras barbaridades, pretendía acabar con la minería para resaltar la ecología nacional. El pobre ignoraba que si algún día el Perú conquista la eficiencia y figura entre los países prósperos de este mundo, ello se deberá a la minería. Esto da más o menos una idea de las cualidades intelectuales del personaje que, en una conflictiva decisión, eligieron los peruanos para ponerlo a la cabeza del Estado. Su impopularidad había llegado al 70%, más o menos, de la población peruana, y esas cifras espeluznantes estaban todavía por aumentar. La tentativa golpista de Castillo ha puesto final a la muy desatinada elección que lo llevó al Palacio de Gobierno. Por eso, creo firmemente que no basta que haya unas “elecciones libres” en los países del tercer mundo, sino que los llamados a votar, lo hagan bien, es decir, en favor de la democracia y del progreso, porque si votan mal, a favor de un dictador, por ejemplo, que se llena los bolsillos y no trabaja por elevar los niveles de la sociedad, la situación empeorará, lo que significan cientos o miles de familias abandonadas. Esperemos que en estas próximas elecciones los peruanos voten mejor que la última vez.
El problema no es peruano, sino de toda América Latina. Y del Tercer Mundo en general. Lo sorprendente es que en esta época, los países pueden elegir ser pobres o ser prósperos. Por eso, es imprescindible que los países del Tercer Mundo abandonen las fantasías socialistas. ¿En qué parte ha triunfado el socialismo? En América Latina hemos visto el caso de Venezuela, que no puede ser más dramático. ¿No es verdaderamente patético el caso de Cuba? Hace 60 años yo fui uno de los entusiastas con la Revolución Cubana. Desde entonces, ella ha ido empeorando y millones de cubanos andan ahora por el mundo, buscando trabajo y tratando de organizar unas vidas para las que no hay ni ocupación ni superación en su propio país. ¿No es triste esto? Ojalá la próxima vez que voten, tengan esto en cuenta los latinoamericanos.
© Mario Vargas Llosa, 2022.
domingo, 22 de janeiro de 2023
Navegar - Manuel Vicent
El viejo marinero que me enseñó a navegar, me decía: si un día te sorprende una gran borrasca en alta mar, prepárate para un largo desafío en el que se va a medir tu carácter. Se trata de capear el temporal. En ese caso no olvides que esa ola que crees que te va a ahogar es precisamente la que te tiene que salvar. Dispón el tormentín y la vela mayor con sus rizos necesarios a favor de la marea, de forma que unos segundos antes de que rompa violentamente contra el costado de tu barco sea esa misma ola la que lo acune y lo impulse siempre un poco más allá, donde ya no llega su zarpa. Tu deber consiste en aliarte con esa ola que amenaza con hacerte naufragar. Puede que el horizonte esté cerrado, que sople un viento huracanado, que todo el mar esté hirviendo “como cazuela en el horno” como escribe Ausiàs March en su poema Veles i vents. Tu destino es sobrevivir. Colócate bien el arnés y piensa que el tiempo ya no existe. Como su propio nombre indica, el temporal siempre será pasajero. Pronto o tarde el viento amainará, el oleaje irá cayendo y el sol volverá a salir entre las nubes. Así acontece también en la vida. Al final de la tempestad te va a llegar el veredicto. Hasta ese momento no sabías si eras valiente o cobarde, débil o fuerte, pero el mar te habrá dado tu exacta medida, que va a depender de si supiste aprovechar la fuerza adversa para avanzar. Y aunque llegues a tierra sano y salvo no creas que has vencido. Sucede que por esta vez el mar te ha respetado, y si lo celebras en el bar del puerto con una cerveza y dejas caer su espuma a lo largo de tu pecho intrépido, nunca presumas con los amigos de tu pericia. Después de salir victorioso de un duro temporal siempre serás un superviviente y deberás considerar que el hecho de seguir vivo con cierta dignidad es el único desafío. Esa es la lección que me dio el viejo marinero que me enseñó a navegar.
El País - 22/01/2023
quarta-feira, 28 de setembro de 2022
O cágado - Almada Negreiros
O Cágado
O homem era
muito senhor da sua vontade, nunca tinha visto um cágado; contudo, agora estava
a acreditar. Acercou-se mais e viu com os olhos da cara que aquilo era, na
verdade, o tal cágado da zoologia.
O homem que
era muito senhor da sua vontade ficou radiante, já tinha novidades para contar
ao almoço, e deitou a correr para casa. A meio caminho pensou que a família era
capaz de não aceitar a novidade por não trazer o cágado com ele, e parou de
repente. Como era muito senhor da sua vontade, não poderia suportar que a
família imaginasse que aquilo do cágado era história dele, e voltou atrás.
Quando chegou perto do tal sítio, o cágado, que já tinha desconfiado da
primeira vez, enfiou buraco abaixo como quem não quer a coisa.
O homem que
era muito senhor da sua vontade pôs-se a espreitar para dentro e depois de
muito espreitar não conseguiu ver senão o que se pode ver para dentro dos
buracos, isto é, muito escuro. Do cágado, nada. Meteu a mão com cautela e nada.
Tinham sido experimentadas todas as cautelas e os recursos naturais de que um
homem dispõe até ao comprimento do braço e nada.
Então foi
buscar auxílio a uma vara compridíssima, que nem é habitual em varas haver
assim tão compridas, enfiou-a pelo buraco abaixo, mas o cágado morava ainda
muito mais lá para o fundo. Quando largou a vara, ela foi por ali abaixo,
exactamente como uma vara perdida.
Depois de
estudar novas maneiras, a ofensiva ficou de facto submetida a nova orientação.
Havia um grande tanque de lavadeiras a dois passos e ao lado do tanque estava
um bom balde dos maiores que há. Mergulhou o balde no tanque e, cheio até mais
não, despejou-o inteiro para dentro do buraco do cágado. Um balde só já ele
sabia que não bastava, nem dez, mas quando chegou a noventa e oito baldes e que
já faltavam só dois para cem e que a água não havia meio de vir ao de cima, o
homem que era muito senhor da sua vontade pôs-se a pensar em todas as espécies
de buracos que possa haver.
- E se eu
dissesse à minha família que tinha visto o cágado? - pensava para si o homem
que era muito senhor da sua vontade. Mas não! Toda a gente pode pensar assim
menos eu, que sou muito senhor da minha vontade.
O maldito sol
também não ajudava nada. Talvez que fosse melhor não dizer nada do cágado ao
almoço. A pensar se sim ou não, os passos dirigiam-se involuntariamente para as
horas de almoçar.
- Já não se
trata de eu ser um incompreendido com a história do cágado, não; agora trata-se
apenas da minha força de vontade. É a minha força de vontade que está em prova,
esta é a ocasião propícia, não percamos tempo! Nada de fraquezas!
Ao lado do
buraco havia uma pá de ferro, destas dos trabalhadores rurais. Pegou na pá e
pôs-se a desfazer o buraco. A primeira pazada de terra, a segunda, a terceira,
e era uma maravilha contemplar aquela majestosa visibilidade que punha os
nossos olhos em presença do mais eficaz testemunho da tenacidade, depois dos
antigos. Na verdade, de cada vez que enfiava a pá na terra, com fé, com
robustez, e sem outras intenções a mais, via-se perfeitamente que estava ali
uma vontade inteira; e ainda que seja cientificamente impossível que a terra
rachasse de cada vez que ele lhe metia a pá, contudo era indiscutivelmente esta
a impressão que lhe dava. Ah, não! Não era um vulgar trabalhador rural. Via-se
perfeitamente que era alguém muito senhor da sua vontade e que estava por ali
por acaso, por imposição própria, contrafeito, por necessidade do espírito, por
outras razões diferentes das dos trabalhadores rurais, no cumprimento de um
dever, um dever importante, uma questão de vida ou de morte - a vontade.
Já estava na
nonagésima pazada de terra; sem afrouxar, com o mesmo ímpeto da inicial, foi
completamente indiferente por um almoço a menos. Fosse ou não por um cágado, a
humanidade iria ver solidificada a vontade de um homem.
A mil metros
de profundidade a pino, o homem que era muito senhor da sua vontade foi
surpreendido por dolorosa dúvida - já não tinha nem a certeza se era a
quinquagésima milionésima octogésima quarta. Era impossível recomeçar, mais
valia perder uma pazada.
Até ali não
havia indícios nem da passagem da vara, da água ou do cágado. Tudo fazia crer
que se tratava de um buraco supérfluo; contudo, o homem era muito senhor da sua
vontade, sabia que tinha de haver-se de frente com todas as más impressões. De
facto, se aquela tarefa não houvesse de ser árdua e difícil, também a vontade
não podia resultar superlativamente dura e preciosa.
Todas as
noções de tempo e de espaço, e as outras noções pelas quais um homem constata o
quotidiano, foram todas uma por uma dispensadas de participar no esburacamento.
Agora, que os músculos disciplinados num ritmo único estavam feitos ao que se
quer pedir, eram desnecessários todos os raciocínios e outros arabescos
cerebrais, não havia outra necessidade além da dos próprios músculos.
Umas vezes a
terra era mais capaz de se deixar furar por causa das grandes camadas de areia
e de lama; todavia estas facilidades ficavam bem subtraídas quando acontecia
ser a altura de atravessar uma dessas rochas gigantescas que há no subsolo. Sem
incitamento nem estímulo possível por aquelas paragens, é absolutamente
indispensável recordar a decisão com que o homem muito senhor da sua vontade
pegou ao princípio na pá do trabalhador rural para justificarmos a intensidade
e a duração desta perseverança. Inclusive, a própria descoberta do centro da
Terra, que tão bem podia servir de regozijo ao que se aventura pelas entranhas
do nosso planeta, passou infelizmente desapercebida ao homem que era muito
senhor da sua vontade. O buraco do cágado era efectivamente interminável. Por
mais que se avançasse, o buraco continuava ainda e sempre. Só assim se explica
ser tão rara a presença de cágados à superfície devido à extensão dos
corredores desde a porta da rua até aos aposentos propriamente ditos.
Entretanto, cá
em cima na terra, a família do homem que era muito senhor da sua vontade, tendo
começado por o ter dado por desaparecido, optara, por último, pelo luto
carregado, não consentindo a entrada no quarto onde ele costumava dormir todas
as noites.
Até que uma
vez, quando ele já não acreditava no fim das covas, já não havia, de facto,
mais continuação daquele buraco, parava exactamente ali, sem apoteose, sem
comemoração, sem vitória, exactamente como um simples buraco de estrada onde se
vê o fundo ao sol. Enfim, naquele sítio nem a revolta servia para nada.
Caindo em si,
o homem que era muito senhor da sua vontade pediu-lhe decisões, novas decisões,
outras; mas ali não havia nada a fazer, tinha esquecido tudo, estava despejado
de todas as coisas, só lhe restava saber cavar com uma pá. Tinha, sobretudo,
muito sono, lembrou-se da cama com lençóis, travesseiro e almofada fofa, tão
longe! Maldita pá! O cágado! E deu com a pá com força no fundo da cova. Mas a
pá safou-se-lhe das mãos e foi mais fundo do que ele supunha, deixando uma
greta aberta por onde entrava uma coisa de que ele já se tinha esquecido há
muito - a luz do sol. A primeira sensação foi de alegria, mas durou apenas três
segundos, a segunda foi de assombro: teria na verdade furado a Terra de lado a
lado?
Para se
certificar alargou a greta com as unhas e espreitou para fora. Era um país
estrangeiro; homens, mulheres, árvores, montes e casas tinham outras proporções
diferentes das que ele tinha na memória. O sol também não era o mesmo, não era
amarelo, era de cobre cheio de azebre e fazia barulho nos reflexos. Mas a
sensação mais estranha ainda estava para vir: foi que, quando quis sair da
cova, julgava que ficava em pé em cima do chão como os habitantes daquele país
estrangeiro, mas a verdade é que a única maneira de poder ver as coisas
naturalmente era pondo-se de pernas para o ar...
Como tinha
muita sede, resolveu ir beber água ali ao pé e teve de ir de mãos no chão e o
corpo a fazer o pino, porque de pé subia-lhe a sangue à cabeça. Então, começou
a ver que não tinha nada a esperar daquele país onde nem sequer se falava com a
boca, falava-se com o nariz.
Vieram-lhe de uma vez todas as
saudades da casa, da família e do quarto de dormir. Felizmente estava aberto o
caminho até casa, fora ele próprio quem o abrira com urna pá de ferro.
Resolveu-se. Começou a andar o buraco todo ao contrário. Andou, andou, andou;
subiu, subiu, subiu...
Quando chegou
cá acima, ao lado do buraco estava uma coisa que não havia antigamente - o
maior monte da Europa, feito por ele, aos poucochinhos, às pazadas de terra,
uma por uma, até ficar enorme, colossal, sem querer, o maior monte da Europa.
Este monte não deixava ver nem a cidade onde estava a casa da família, nem a estrada que dava para a cidade, nem os arredores da cidade que faziam um belo panorama. O monte estava por cima disto tudo e de muito mais.
O homem que
era muito senhor da sua vontade estava cansadíssimo por ter feito duas vezes o
diâmetro da Terra. Apetecia-lhe dormir na sua querida cama, mas para isso era
necessário tirar aquele monte maior da Europa, de cima da cidade, onde estava a
casa da sua família. Então, foi buscar outra pá dos trabalhadores rurais e
começou logo a desfazer o monte maior da Europa. Foi restituindo à Terra, uma
por uma, todas as pazadas com que a tinha esburacado de lado a lado. Começavam
já a aparecer as cruzes das torres, os telhados das casas, os cumes dos montes
naturais, a casa da sua família, muita gente suja de terra, por ter estado
soterrada, outros que ficaram aleijados, e o resto como dantes.
O homem que
era muito senhor da sua vontade já podia entrar em casa para descansar, mas
quis mais, quis restituir à Terra todas as pazadas, todas. Faltavam poucas,
algumas dúzias apenas. Já agora valia a pena fazer tudo bem até ao fim. Quando
já era a última pazada de terra que ele ia meter no buraco, portanto a primeira
que ele tinha tirado ao princípio, reparou que o torrão estava a mexer por si,
sem ninguém lhe tocar; curioso, quis ver
porque era - era o cágado.
In Contos e Novelas, José de
Almada-Negreiros, 1970 Editorial Estampa
A Pereira da Tia Miséria
Havia no princípio do mundo uma velhinha muito pobre e muito infeliz: era conhecida pelo nome de Tia Miséria. Só possuía uma casinha arruinada e uma pereira no quintal. Tudo sofria com paciência e resignação, mas só uma coisa não desculpava, nem perdoava: que os meninos da vizinhança subissem na pereira e lhe comessem as peras. Seria capaz de dá-las todas sem provar uma, mas indignava-se contra os que as roubavam.
Uma noite bateu-lhe à porta um pobrezinho, quase morto de fome e pediu-lhe comida e guarida por uma noite. Fazia muito frio e a Tia Miséria acomodou-o perto do fogão e deu-lhe a migalha de pão que reservava para si. No dia seguinte, o pobre despediu-se e disse-lhe que pedisse o que quisesse.- Só peço que as pessoas que subirem à minha pereira não possam descer sem o meu consentimento – respondeu a velhinha.
- Assim será – respondeu o mendigo.
No ano seguinte, quando estavam madurinhas as primeiras peras, Tia Miséria chegou ao quintal e encontrou três garotos em cima da pereira.
- Ó Tia Miséria, perdoe-nos pelo amor de Deus! Tire-nos daqui, que não conseguimos descer.
- Ah, é? Então vocês diziam que não eram os ladrões das minhas peras! Pois tomem isso e mais isso! Disse Tia Miséria, dando uma sova nos meninos com uma vara. Desta vez vou permitir que desçam, mas se voltarem, já sabem: hão de ficar aí por muitos anos!
E os garotos desceram e nunca mais voltaram à pereira.
Até que em uma noite chuvosa, bateram-lhe à porta.
- Já vou, já vou! Gritou Tia Miséria.
Era uma mulher de horrendo aspeto, vestida de negro, com as asas negras nos ombros e nos pés.
- O que... o que... quer? - Perguntou a Tia Miséria a tremer.
- Tenha uma boa e santa noite, Tia Miséria.
- Conhece-me? - Perguntou assombrada.
- Vamos, Tia Miséria. Chegou a sua hora.
Foi então que a Tia Miséria se apercebeu da foice debaixo da capa da estranha criatura. Nesse momento, deu conta de que tinha aberto a porta para a... ela mesma... a MORTE!
- Sou a Morte: venho buscar-te e estou com pressa.
- Já? Não podes ao menos dar-me dar um ano de espera?
- Não pode ser - respondeu a Morte.
- Então faz-me ao menos um último favor: sobe à minha pereira e colhe-me a última pera que me resta. Quero comê-la, visto que é a última. Enquanto isso, vou-me preparando para a partida.
- Tudo bem, mulher, mas despacha-te!
A Morte subiu à pereira, colheu a pera, mas não conseguiu descer. E pôs-se a chamar a velhinha. Esta respondeu: “Tem paciência, maldita, mas aí ficarás por todos os séculos. És má, tens feito muitas desgraças, a roubar muitos pais aos seus filhos pequeninos...”
E a Morte ficou em cima da pereira durante dias, semanas, meses.
- Por onde anda a morte? Perguntavam os velhinhos e os doentes terminais nos hospitais.
Depois de um ano, e depois de muita procura, Tia Miséria apercebeu-se, à frente da sua porta, de um grupo composto por padres que se queixavam de que não havia enterros e de médicos enfurecidos com o pouco profissionalismo da morte: uma coisa era alargar a vida, outra muito diferente era estender a dor. Ali estavam também escrivães e advogados que se lastimavam de não ter trabalho, de donos de funerárias que reclamavam da queda das vendas de caixões; enfim, eram todos aqueles que vivem da morte do próximo. Todos pediam à velha que autorizasse a Morte a descer da pereira, mas a Tia Miséria respondia: “Não quero, não quero e não quero”!
A Morte falou então do alto da pereira e fez um pacto com a velha: se a deixasse descer, pouparia a sua vida enquanto o mundo fosse mundo. A velhinha consentiu e a Morte desceu. Saiu a correr dali com a promessa de nunca mais bater à porta de Tia Miséria. Mas compensou o tempo perdido: nunca morreram tantos em tão pouco tempo.
É por isso que enquanto o mundo for mundo a Miséria existirá sobre a Terra.
domingo, 11 de setembro de 2022
O amargo encanto das direitas autoritárias - Enric González (El País)
Las democracias liberales encajan mal con el miedo. Y vivimos en una cultura del miedo. En el lado izquierdo se teme al cambio climático, por ejemplo. La nueva derecha, decidida a transformar los consensos forjados después de 1945 y a imponer “sin complejos” sus propias ideas, agita la amenaza de la inmigración masiva y la transformación de las llamadas “culturas nacionales” en mosaicos multiculturales incompatibles entre sí.
Políticos y medios de comunicación difunden continuas alarmas. Las redes propagan mentiras a la velocidad de la luz. La reciente presidencia de Donald Trump, con el apoteósico final del asalto al Capitolio, demuestra que incluso sistemas liberales tan asentados como el estadounidense pueden virar hacia el autoritarismo y la intolerancia.
Freedom House, una organización no gubernamental con sede en Washington dedicada a promover la democracia y los derechos humanos, asegura en sus informes que la libertad lleva 16 años disminuyendo en el mundo y cediendo posiciones frente al autoritarismo. En 1991 cayó la Unión Soviética y pareció que las democracias liberales habían triunfado. La impresión es ahora la contraria. Historiadores como Julián Casanova y Josep Maria Fradera coinciden en el diagnóstico: las autocracias avanzan y la derecha “ha vencido ya”. ¿Qué ha pasado?
La crisis financiera de 2008, la peor del capitalismo desde 1929, marca un punto de inflexión. El riesgo de colapso era tan grave que el presidente francés de la época, Nicolas Sarkozy, habló de la necesidad de “refundar el capitalismo”. Como es sabido, luego resultó ser el capitalismo el que siguió refundando todo lo demás. La onda expansiva de aquella crisis ha dejado tras de sí un escenario de ruinas. La izquierda tradicional quedó seriamente desarbolada: la socialdemocracia y el sindicalismo demostraron su impotencia ante la tormenta. “No se ofrecieron alternativas a la ley del mercado”, dice Casanova.
Desde 2008 se aceleraron los excesos del capitalismo: aumentaron las desigualdades, se normalizaron tanto los patrimonios inconcebiblemente gigantescos de los más ricos como la precariedad laboral de las clases medias y trabajadoras, y la globalización, que ya había desindustrializado parcialmente Estados Unidos y la Unión Europea, empezó a ser percibida en determinados sectores como un mecanismo fuera de control.
No tiene mucho sentido fijarse en Rusia. La agenda de Vladímir Putin fue autocrática desde el principio. La democracia liberal nunca tuvo la menor oportunidad en el país de los zares y los sóviets. Un mejor ejemplo sobre la evolución desde la democracia liberal (al menos en términos formales) a un sistema de rasgos autocráticos lo ofrece Hungría, un país integrado en la Unión Europea. Julián Casanova fue profesor de la Universidad Centroeuropea, con sede en Budapest, hasta 2017. Asistió de cerca a los acontecimientos.
Viktor Orbán, fundador del movimiento Fidesz (Alianza de Jóvenes Demócratas) en 1988, cuando aún existía la Unión Soviética, gobernó con un programa de estabilización política y económica entre 1998 y 2002. Al retornar al poder en 2010, con mayoría absoluta en el Parlamento, la crisis de 2008 azotaba las economías europeas y Orbán se había desplazado desde posiciones liberales a una ideología extremadamente conservadora y, según su propia definición, “iliberal”. La fragilidad económica europea generó un clima de miedo que abrió las puertas a las nuevas derechas en Francia, Italia, Alemania, Reino Unido y en la mayoría de las nuevas democracias excomunistas.
“Orbán no explotó el miedo a la crisis, sino el miedo a una inmigración masiva que destruyera la identidad nacional”, precisa Casanova. El porcentaje de inmigrantes en aquel momento apenas suponía el 5% de la población y en su gran mayoría eran de origen europeo. “Su agenda”, añade, “era claramente antisemita”.
Viktor Orbán enarboló una de las banderas tradicionales de la ultraderecha clásica, la de hace un siglo, una de las que el sociólogo hispano-estadounidense Juan Linz describió en su libro La quiebra de las democracias (1978): el antisemitismo. Ya en 1989, cuando colapsaron los regímenes comunistas europeos, amplios sectores de la sociedad húngara mostraban un recelo profundo hacia los judíos.
Orbán prefirió no ser muy explícito y canalizar implícitamente el antisemitismo general hacia una persona en particular, el multimillonario judío George Soros, a quien se atribuyeron diversas conspiraciones presuntamente encaminadas a la erosión de la nación húngara. El foco de la aversión gubernamental se dirigió a la Universidad Centroeuropea, fundada y financiada por Soros (quien, incidentalmente, había pagado la beca con la que Orbán estudió un año en Oxford); al final, la Universidad tuvo que ser trasladada a Viena.
“Las transiciones a la democracia desde el comunismo fueron muy rápidas y desordenadas, en sociedades que habían sufrido dictaduras muy largas y donde la tradición liberal apenas existía”, explica Casanova. Para el historiador, las invocaciones de la nueva derecha al “auténtico pueblo y a la unidad” arraigan fácilmente en esos países.
Y en otros. Es muy ilustrativo el titular del Daily Mail, el diario de las clases medias inglesas, después de que tres jueces dictaminaran que el gobierno de Londres no podía romper con la UE sin la autorización del Parlamento: “Enemigos del pueblo”, fue el titular, acompañado por las fotos de los tres jueces.
En la Europa occidental, España incluida, también funciona cada vez mejor el recurso político de atribuir a las izquierdas, a las élites o a Bruselas la condición de “enemigas de la patria” y de “fragmentadoras de la unidad nacional”.
Es lo que afirma Hermann Tertsch, antiguo periodista (en este periódico y en otros) y actual eurodiputado de Vox. “El discurso progresista va imponiendo el culto a la ecología, el miedo al cambio climático, la agenda neomarxista, la ideología de género, el animalismo, para ir fraccionando y dominando”, dice. Tertsch afirma que la Unión Europea se ha convertido en un “megaestado centralizador en manos de un sanedrín intocable al que nadie ha votado”. La Comisión Europea, sigue, “asume el discurso progresista y atenta continuamente contra la soberanía nacional de los países miembros”.
El sentimiento antieuropeísta no deja de crecer. “Es normal”, dice Tertsch, “la Unión Europea ha adoptado por completo la agenda socialdemócrata y actúa como si no existieran alternativas”.
El antieuropeísmo, sin embargo, aún no es electoralmente rentable, salvo en el Reino Unido. En 2017, Marine Le Pen concurrió a las elecciones presidenciales francesas con la propuesta (más o menos vaga, más o
menos explícita) de renunciar al euro y recuperar el franco como divisa nacional. El análisis de su derrota frente a Emmanuel Macron demostró que la frivolidad de sus discursos sobre la moneda había restado votos a la extrema derecha, o nueva derecha. En 2022, Le Pen acudió a las elecciones con la promesa de mantener el euro. Volvió a perder, pero ahora cuenta, a diferencia de cinco años atrás, con un nutrido grupo parlamentario en la Asamblea Nacional.
En una democracia liberal las elecciones periódicas representan solamente la guinda del pastel. Las elecciones, por sí mismas, significan poco, como se demuestra en Rusia o Turquía. Son necesarias una justicia y una prensa independientes y un nivel suficiente de aceptación del contrario, para que las transiciones de poder se realicen sin grandes sobresaltos e incluso, aunque el término resulte peyorativo para la nueva derecha, algún consenso ocasional para las grandes decisiones.
La evolución de la democracia liberal hacia la autocracia es, por tanto, simple: se impone el control gubernamental sobre la justicia, se nacionalizan o se entregan los grandes medios de comunicación a una oligarquía fiel al presidente y se demoniza a las ideologías rivales como “enemigas del pueblo”. Es el modelo húngaro, y en menor medida el adoptado en Polonia y Eslovaquia.
También es el modelo seguido por Donald Trump, aunque Estados Unidos sea una democracia más sólida: descalificó a los medios de información que no se alineaban con él (lo que publicaban eran “fake news”) y con sus nombramientos en el Tribunal Supremo decantó la justicia hacia la derecha por un largo periodo, ya que los miembros del Supremo son vitalicios.
Las nuevas autocracias, no atribuibles a una simple derechización (véanse los casos de Venezuela o Nicaragua, que se autodefinen como izquierdistas), pueden atraer inicialmente a buena parte de la población por sus reclamos populistas. En su libro El ocaso de la democracia, la ensayista conservadora Anne Applebaum destaca tres elementos. El primero, atribuir la responsabilidad de los problemas a la oposición o a un enemigo externo (los inmigrantes son utilísimos en ese sentido). El segundo, proponer soluciones fáciles: “Con frecuencia las personas se sienten atraídas por las ideas autoritarias porque les molesta la complejidad; les disgusta la división, prefieren la unidad”. El tercero, apelar a discursos pesimistas y en definitiva al miedo: “Estados Unidos está condenado, Europa está condenada, la civilización occidental está condenada. Y los responsables de ello son la inmigración, la corrección política, los transgénero, la cultura, el establishment [las élites], la izquierda y los demócratas”.
Por supuesto, este mecanismo no funcionaría si no contuviera elementos verdaderos o, al menos, verosímiles para grandes sectores de un país. No cuesta nada reconocer la hipocresía de las fuerzas progresistas respecto a la inmigración (se la defiende de boquilla, pero se la reprime en la frontera) o el alejamiento de las élites respecto a los problemas de la clase trabajadora (Marine Le Pen es hoy la dirigente más votada por los obreros franceses y algo parecido pudo decirse de Donald Trump).
Cuando Hermann Tertsch, de Vox, señala que el húngaro Viktor Orbán “quiere inmigrantes que sean parecidos a los húngaros y fácilmente integrables [descodificado, no musulmanes]”, dice algo extensible, aunque no se pregone, a cualquier país europeo. Recuérdese la acogida de los refugiados de la guerra de Siria, con una notable excepción en la Alemania de Angela Merkel, y compárese con la entusiásticamente dispensada a los refugiados de la guerra de Ucrania.
Cabe suponer que la actual crisis económica, disparada por la inflación (un fenómeno detonado por la paralización pandémica y multiplicado por la invasión de Ucrania y el encarecimiento del gas ruso), jugará a favor de las fuerzas autoritarias y populistas. Pero asoma otro factor, subrayado por el historiador Josep Maria Fradera, que complicará la vida a las democracias liberales: con la invasión de Ucrania por parte de Rusia y la revitalización de la OTAN se perfila de nuevo un mundo bipolar, no exactamente igual al anterior a 1989 pero muy parecido, con Estados Unidos y sus aliados de un lado, y con China y sus aliados (entre ellos Rusia) de otro.
No hace falta recordar los conflictos bélicos, golpes de Estado e intervenciones externas que jalonaron las décadas de la Guerra Fría (19491989). Como indica Fradera, la anterior crisis de las democracias liberales europeas no fue provocada por la derecha, sino por la aparición de grupos terroristas de izquierda en los años setenta, especialmente en Alemania, Italia y España, que cuestionaron tanto las instituciones como el alineamiento con Washington.
En un contexto bipolar, la simple percepción de que un Gobierno parece dispuesto a cambiar de bando o a evolucionar en un sentido inconveniente para la potencia hegemónica conlleva un severo castigo. Y las consignas se siguen al pie de la letra. En la última cumbre de la OTAN, en Madrid, se decidió incrementar sensiblemente el gasto en ejército y armamento, pese a que las fuerzas de la OTAN siguen siendo muy superiores a las fuerzas combinadas de China y Rusia. Sin contar con los arsenales nucleares, cuyo uso desembocaría en una aniquilación planetaria.
“Volvemos al doctor Strangelove [en referencia a ¿Teléfono rojo? Volamos hacia Moscú, la siniestra sátira de Stanley Kubrick sobre la Guerra Fría] y la nueva derecha está lejos de tocar techo”, dice Fradera. “La nueva derecha”, agrega, “condiciona y marca la pauta al resto de las fuerzas conservadoras”. Tanto él como Casanova consideran que “la derecha ya ha ganado” la batalla ideológica.
A busca da felicidade - Daniel Mediavilla (El País)
La búsqueda de la felicidad y una cierta insatisfacción con el mundo es parte de la vida humana desde que se tiene constancia. Desde Aristóteles o Epicuro a los modernos libros de autoayuda, el objetivo de estar bien ha ocupado a las mejores y las peores mentes de cada generación, y las religiones han prosperado ofreciendo una respuesta a un dolor omnipresente. Aunque el progreso en muchos aspectos materiales ha sido espectacular, algunos datos, que son el primer paso para corregir los problemas en el mundo gobernado por la razón, muestran que la solución a la angustia por existir no está cerca; incluso se aleja.
En España, en una tendencia compartida con casi todos los países occidentales, el consumo de antidepresivos se triplicó entre 2005 y 2015, y un estudio publicado en The Lancet estimó que, durante la pandemia, los trastornos depresivos se incrementaron casi un 30% en todo el mundo. Luis Caballero, jefe de sección del servicio de psiquiatría del Hospital Universitario Puerta de Hierro de Madrid, y Francisco Collazos, responsable del programa de Psiquiatría Transcultural de Vall d’Hebron, en Barcelona, coinciden en que, en los últimos años, se ha visto un incremento de casos de autolesiones y trastornos alimentarios entre los adolescentes, y también de consumo de alcohol y otras sustancias, agravado en la pandemia.
Ante este panorama, algunos expertos han mirado al pasado en busca de soluciones. Dos biólogos evolutivos, Bret Weinstein y Heather Heying, han publicado recientemente
Guía del cazador-recolector para el siglo XXI. Ambos consideran que es necesario prestar atención a la historia evolutiva humana para reducir los problemas de salud mental que aquejan a nuestra sociedad. Según ellos, los cambios tecnológicos y de estilo de vida en los últimos tiempos han sido tan rápidos que la capacidad de adaptación no ha podido seguir el ritmo. Para revertir el problema, habría que aceptar la verdadera naturaleza humana, desentrañada a través del estudio de su evolución. De ese estudio, extraen consejos propios de un libro de autoayuda: además de hacer más ejercicio o comer menos productos procesados, una forma de vida con más apoyo en la comunidad y en la vida tradicional sería más sana para nuestra mente.
En esta línea, algunos estudiosos de las culturas menos occidentalizadas del presente, aquellas que pueden parecerse más a la de los humanos prehistóricos, afirman que hay una menor prevalencia de enfermedades mentales como la depresión o la ansiedad, pero, como en todo lo que tiene que ver con la felicidad humana, la historia está llena de matices.
Francisco Giner, catedrático de Antropología de la Universidad de Salamanca, que ha estudiado grupos humanos con formas de vida “primitivas” en todo el mundo, reconoce que “hablar de felicidad en el ámbito académico asusta”, pero que en su equipo han tratado de “cuantificarlo en cierta medida a partir de una serie de componentes”, y han concluido que en estas tribus primitivas, eran “más felices” y tenían “una infancia menos competitiva que la nuestra. Haciendo balance, la enfermedad mental es casi inexistente y para categorías como la depresión ni siquiera tienen términos”, resume.
Sobre la presión social para amoldarse al grupo, Giner cuenta la historia de un hombre de la tribu Hamer, de Etiopía, que había ido a la universidad, pero mantenía su identidad tribal. “Me invitó a un rito en el que le entregaron una esposa elegida por su familia, y le pregunté si no hubiera preferido escogerla él”, recuerda. Él le dio una respuesta que puede parecer sorprendente para un occidental: “Mi familia conoce mejor a las jóvenes de mi cultura, y habrán elegido mejor de lo que yo lo hubiera hecho”.
Esta cesión de buena parte de la libertad en la familia, la tribu y la costumbre es señalada por otros expertos como un efecto protector. “Cuando hablas con pacientes procedentes de las antiguas repúblicas soviéticas, algunos echan de menos aquellos tiempos en que el guion te lo marcaba de una forma muy estrecha el Estado”, explica Francisco Collazos. “En nuestra sociedad, el discurso ultraliberal y la crisis de los valores tradicionales nos bombardean con la posibilidad de una vida plena. Pero después, en el día a día, esos sueños excesivos no se cumplen y eso alimenta una vivencia de fracaso”, explica.
Esfuerzo por integrarse
El psiquiatra, especializado en el tratamiento de personas inmigrantes, pone un ejemplo de casos clínicos en los que se ve la aceptación de un sistema. Tratando a estas personas, he visto que las que llegan a Madrid o a Barcelona desde un determinado país y siguen viviendo como si siguiesen allí, aislados en su propio entorno, tienen menos trastornos mentales que los que hacen un mayor esfuerzo por integrarse”, asegura. No obstante, Collazos reconoce que “no tendría mucho éxito aquel que abogara por una vuelta al pasado y te dijese: resígnate y renuncia a tu libertad”.
María Martinón-Torres, directora del Centro Nacional de Investigación sobre la Evolución Humana, en Burgos, acaba de publicar Homo imperfectus, un libro en el que explora la naturaleza humana a través de su historia evolutiva. La investigadora se considera sorprendida por la idea de que “ahora hay más estrés que antes”. La paleoantropóloga plantea que hay estudios que muestran que algunas poblaciones con estilos de vida primitivos no tenían estrés hasta que les ayudaron a verbalizarlo. Collazos coincide y relata su experiencia con pacientes de culturas menos occidentalizadas. “Es raro que me digan, doctor, tengo depresión. En muchas lenguas nativas africanas no existe ese término, pero igual te dicen: doctor, últimamente pienso mucho”, ejemplifica.
Luis Caballero cree que hablar de la mayor o menor prevalencia de trastornos mentales en sociedades primitivas o modernas es un planteamiento demasiado genérico y advierte ante la escasez de trabajos científicos fiables. “Son culturas diferentes con patologías diferentes. Las enfermedades relacionadas con infecciones, que después derivan en problemas psiquiátricos, son más frecuentes en las sociedades menos desarrolladas, y pasar hambre o no tener vacunas no puede ser una ventaja. La pobreza es un factor de riesgo claro en los trastornos mentales. Pero después, las exigencias de ambientes muy competitivos en sociedades muy competitivas pueden causar estrés a los niños y adolescentes”, reflexiona. Caballero, como el resto de expertos consultados, considera que es un campo en el que queda mucho por investigar.
La sensación del paraíso perdido parece algo inherente a la experiencia humana. Jared Diamond escribió que el abandono de la vida de caza y recolecta por la agricultura y la ganadería había sido el peor error de la humanidad. La nostalgia por el pasado no es nueva, pero no hay muestras de que los humanos completamente felices hayan existido nunca. Sin embargo, el conocimiento sobre cómo afectan los cambios tecnológicos y las transformaciones sociales a unos seres que evolucionaron en pequeñas bandas en la sabana africana es escaso. Un análisis de la naturaleza humana puede ser un camino para mejorar el bienestar mental que hoy muchos consideran demasiado lejano.
domingo, 9 de janeiro de 2022
O diletantismo - Eça de Queirós
O diletantismo de Fradique Mendes: